31 de agosto de 2011

Filme: A Batalha dos 3 Reinos (Red Cliff)

A Batalha dos Três Reinos
Classificação: ✩✩✩✩✩
Criado a partir da passagem "A batalha dos penhascos vermelhos" no livro Romance dos Três Reinos(1350) de Luo Guanzhong, o novo filme de John Woo A Batalha dos 3 Reinos (Red Cliff)é influenciado por outro livro: A Arte da Guerra, de Sun Tzu. As lições de estratégia militar escritas por Sun Tzu seis séculos antes de Cristo já inspiravam os líderes dos três feudos que, dos anos 220 a 280 d.C., durante a dinastia Han, guerrearam entre si para defender sua parcela no território chinês.



A princípio somos apresentados a Cao Cao (Zhang Fengyi), primeiro-ministro do imperador que consegue convencer o fraco regente a iniciar outra guerra - desta vez, contra os supostos rebeldes do sul, os reinos dos senhores Sun Quan e Liu Bei. O exército de Cao Cao é radicalmente mais numeroso, mas a aliança formada pelos estrategistas Zhou Yu (Tony Leung Chiu-wai) e Zhuge Liang (Takeshi Kaneshiro) tenta tirar a vantagem na base da inteligência.


Woo faz um trabalho formidável no início para não deixar que a salada de nomes, reinos e hierarquias confunda o espectador. Formidável porque somos apresentados de forma didática a cada um dos senhores feudais, generais e conselheiros, com cada personagem sendo tipificado de um jeito, nos dando um amplo painel do que esperar quando a batalha começar.


É como se nos fossem apresentados os "jogadores" de um imenso game de estratégia. Não por acaso, os personagens vividos pelos astros Kaneshiro e Tony Leung são os verdadeiros protagonistas. É na boca dos dois que John Woo coloca as frases mais sintéticas do pensamento de Sun Tzu - guerrear é proteger civis, respeitar as leis da natureza etc. E enquanto os "rebeldes" do sul são mostrados como benfeitores (ensinando soldados a ler e escrever), Cao Cao é pintado como o militar extremado, que usa até futebol no treinamento de seus homens. Ironicamente, Cao Cao é tido, historicamente, como um dos principais responsáveis por preservar os escritos de Sun Tzu para a posteridade.

Uma vez que a arte da guerra de Sun Tzu se baseia numa ética própria - repare como o pior xingamento que alguém pode receber no filme é "traidor" - John Woo consegue licença para exercitar todos os seus dons sem a preocupação de estar glamourizando a violência. Planos de gruas, travelings circulares, zooms velozes... Todo tipo de ferramenta de cinema de ação, mesmo os mais cafonas, como as fusões de imagens, caem bem na mão do cineasta. A Batalha dos 3 Reinos é um épico digno do nome, e o senso de ritmo do diretor, que faz 150 minutos de sessão parecer menos, é invulgar.


Vale comparar o longa - o primeiro do cineasta em sua pátria materna desde Fervura Máxima (1992) - com outros similares, como os épicos de Zhang Yimou, de Herói e O Clã das Adagas Voadoras. As diferenças ficam evidentes nos momentos mais movimentados da ação. Enquanto Yimou privilegia a coreografia da luta, o bailado dos corpos que não necessariamente implica um bailado também da câmera, John Woo pensa com cabeça de montador. Há algum balé e pouco wire-fu em A Batalha dos 3 Reinos, mas a verdadeira coreografia ali é de câmera. O compasso das lutas não se dá na encenação, mas no jogo de aproximar, rodar e afastar que Woo impõe na montagem.

Trailer: